
sábado, 23 de abril de 2011
sexta-feira, 22 de abril de 2011
O Coletivo Pi
No período de setembro de 2009 a Janeiro de 2011 estive envolvido com as maravilhosas companheiras Natália Viana, Pâmela Mochiute e Priscila Toscano. Elas são atrizes e minhas amigas desde 2005 quando ingressamos na UNESP para cursar Artes Cênicas. Com elas tive o prazer de vivenciar vários projetos que levaram à configuração do Coletivo Pi. No ano de 2010 ocupamos uma sala cedida pelo Clube Escola Santana da Prefeitura de São Paulo, localizado na região de Santana e lá concretizamos dois Saraus e um estudo de dramaturgia infantil denominado Cena Aberta. Também produzimos e ficamos em cartaz no mês de novembro/10 com o espetáculo O mundo de Norma. Hoje o grupo pratica sua arte marcando o cotidiano da cidade de São Paulo com suas intervenções inteligentes, provocantes e divertidas. Além disso, o Pi mantém em sua sede a Oficina de Teatro para a Terceira Idade, na qual tive a felicidade de ministrar aulas durante todo o ano de 2010.
Vale a pena acompanhar as atividades do Coletivo Pi e a oportunidade mais próxima será no dia 26/04, terça-feira, na intervenção Narrativas de Santana, que será realizada em algum espaço público na zona norte de São Paulo. Participe e acompanhe pelo blog do coletivo!
É muito bacana!
Coletivo Pi: http://www.coletivopi.blogspot.com/
Vale a pena acompanhar as atividades do Coletivo Pi e a oportunidade mais próxima será no dia 26/04, terça-feira, na intervenção Narrativas de Santana, que será realizada em algum espaço público na zona norte de São Paulo. Participe e acompanhe pelo blog do coletivo!
É muito bacana!
Coletivo Pi: http://www.coletivopi.blogspot.com/
O Ator
Bendito seja quem souber dirigir-se a esse homem que se deixou endurecer, de forma a atingi-lo no pequeno núcleo macio de sua sensibilidade, e por aí despertá-lo, tirá-lo da apatia, essa grotesca forma de autodestruição a que, por desencanto ou medo, se sujeita, e por aí inquietá-lo e comovê-lo para as lutas comuns da libertação.
Os atores têm esse dom. Eles têm o talento de atingir as pessoas nos pontos nos quais não existem defesas. Os atores, eles, e não os diretores e os autores, têm esse dom. Por isso o artista do teatro é o ator(...)
Eu amo os atores nas suas alucinantes variações de humor, nas suas crises de euforia ou depressão. Amo o ator no desespero de sua insegurança, quando ele, como viajor solitário, sem a bússola da fé ou da ideologia, é obrigado a vagar pelos labirintos de sua mente, procurando no seu mais secreto íntimo afinidades com as distorções de caráter que seu personagem tem. E amo muito mais o ator quando, depois de tantos martírios, surge no palco com segurança, emprestando seu corpo, sua voz, sua alma, sua sensibilidade para expor sem nenhuma reserva toda a fragilidade do ser humano reprimido, violentado. Eu amo o ator (...)
Fragmento de texto de Plínio Marcos (1935-1999), publicado no livro
Canções e Reflexões de um Palhaço, publicação do autor de 1987.
Plínio Marcos contribuiu muito com o teatro brasileiro como ator, dramaturgo e diretor.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
domingo, 19 de setembro de 2010
O que mais há sobre isso?
A convivência entre o teatro e a Igreja na Idade Média
A Igreja Católica consagrou seu poder durante a Idade Média por mais de dez séculos e sua presença firmou-se através de interferências cruciais na política e na economia, além de moldar o comportamento social da época. Na educação, privilegiou aristocratas e colaboradores de suas ideologias e para isso lançou dogmas, proibiu livros e condenou pessoas. Não é preciso detalhar as fogueiras em praças públicas. Também desprezou a sabedoria popular e dentre outras arbitrariedades baniu o teatro, provavelmente por reconhecer nele uma forma poderosa de manifestação do pensamento e de transformação da sociedade.
A condenação da linguagem teatral custou a vida e perseguição de muitos atores. Por longo tempo mantiveram suas atividades apenas os mimos, às escondidas, os menestréis e os acrobatas, sustentados por alguns senhores feudais.
Ironicamente, a própria liturgia cristã trazia uma força de representação, contendo em si o vigor teatral. Em algum momento isto se fez notar e se por um lado a Igreja Católica Medieval desmantelou a expressão cênica, por outro apropriou-se desta arte que, na verdade, é inerente às relações humanas.
Diante de tanta repressão não é difícil imaginar que "ovelhas" desgarraram-se do grande "rebanho do Senhor". Tal afastamento de fiéis estimulou aos clérigos elaborarem uma estratégia de atração às suas paróquias por algo próximo à linguagem teatral já que sua liturgia é repleta de elementos dramáticos. Fundamental nesse processo que se deu, principalmente a partir do século XI, é como o espaço clerical foi utilizado gradualmente com o fim de controlar e inculcar nos participantes a construção de um teatro que estivesse pronto a servir ao interesse católico.
O altar-mor da igreja inciou na Europa o processo de dramatização com as frequentes execuções de Tropos com Tableaux - uma forma imóvel de representar cenas do Antigo Testamento. Tal imagem pode ter emocionado amiúde as pessoas nas missas, sobretudo nas festas de páscoa e natal, necessitando assim uma maior dinâmica litúrgica. Aos poucos, quando a língua vernacular ocupou uma pequena parte das cerimônicas, naturalmente os fiéis aumentaram seu interesse e sua assiduidade, motivos esses que estimularam, ao clero, mais inserir maior dramaticidade com a finalidade de "instruir" ao povo.
O Tableau logo tornou-se insuficiente e cedeu lugar a outros tipos de representação, tais como os milagres, os mistérios e os autos - sempre trazendo temas religiosos importantes. Rapidamente a nave central da igreja foi tomada de cores de figurinos elaborados, cantos e diálogos. O poder imagético influenciou demasiadamente, fazendo com que aumentasse tanto a importância do evento quanto a presença e colaboração por parte da comunidade. Quando as apresentações transferiram-se para a frente da igreja, isto é, quando tomou o seu lado externo, o número de envolvidos na produção cênica era grande e trouxe novas formas que incluíam desde a procissão, passando pelas estações cênicas, palcos simultâneos até chegar aos carros-palco. Era o teatro religioso invadindo as ruas, voltando ao povo e, no devido tempo, reincorporando elementos alegóricos e profanos.
A história mostra que o teatro esteve "ausente" do cenário público na chamada Idade das Trevas, mas continuou em estado latente o tempo todo. A Igreja perdeu, o teatro ganhou? É bem possível que perdas e ganhos se deram para ambos os lados sem se deixar de firmar convicções que se fazem presentes na religião, na arte e no homem.
O que mais há sobre isso?
Referências bibliográficas:
Carlson, Mavin. Teorias do teatro. Ed. Unesp. SP, 1995.
Berthold, Margot. História mundial do teatro. Ed. Perspectiva,SP, 2000.
A Igreja Católica consagrou seu poder durante a Idade Média por mais de dez séculos e sua presença firmou-se através de interferências cruciais na política e na economia, além de moldar o comportamento social da época. Na educação, privilegiou aristocratas e colaboradores de suas ideologias e para isso lançou dogmas, proibiu livros e condenou pessoas. Não é preciso detalhar as fogueiras em praças públicas. Também desprezou a sabedoria popular e dentre outras arbitrariedades baniu o teatro, provavelmente por reconhecer nele uma forma poderosa de manifestação do pensamento e de transformação da sociedade.
A condenação da linguagem teatral custou a vida e perseguição de muitos atores. Por longo tempo mantiveram suas atividades apenas os mimos, às escondidas, os menestréis e os acrobatas, sustentados por alguns senhores feudais.
Ironicamente, a própria liturgia cristã trazia uma força de representação, contendo em si o vigor teatral. Em algum momento isto se fez notar e se por um lado a Igreja Católica Medieval desmantelou a expressão cênica, por outro apropriou-se desta arte que, na verdade, é inerente às relações humanas.
Diante de tanta repressão não é difícil imaginar que "ovelhas" desgarraram-se do grande "rebanho do Senhor". Tal afastamento de fiéis estimulou aos clérigos elaborarem uma estratégia de atração às suas paróquias por algo próximo à linguagem teatral já que sua liturgia é repleta de elementos dramáticos. Fundamental nesse processo que se deu, principalmente a partir do século XI, é como o espaço clerical foi utilizado gradualmente com o fim de controlar e inculcar nos participantes a construção de um teatro que estivesse pronto a servir ao interesse católico.
O altar-mor da igreja inciou na Europa o processo de dramatização com as frequentes execuções de Tropos com Tableaux - uma forma imóvel de representar cenas do Antigo Testamento. Tal imagem pode ter emocionado amiúde as pessoas nas missas, sobretudo nas festas de páscoa e natal, necessitando assim uma maior dinâmica litúrgica. Aos poucos, quando a língua vernacular ocupou uma pequena parte das cerimônicas, naturalmente os fiéis aumentaram seu interesse e sua assiduidade, motivos esses que estimularam, ao clero, mais inserir maior dramaticidade com a finalidade de "instruir" ao povo.
O Tableau logo tornou-se insuficiente e cedeu lugar a outros tipos de representação, tais como os milagres, os mistérios e os autos - sempre trazendo temas religiosos importantes. Rapidamente a nave central da igreja foi tomada de cores de figurinos elaborados, cantos e diálogos. O poder imagético influenciou demasiadamente, fazendo com que aumentasse tanto a importância do evento quanto a presença e colaboração por parte da comunidade. Quando as apresentações transferiram-se para a frente da igreja, isto é, quando tomou o seu lado externo, o número de envolvidos na produção cênica era grande e trouxe novas formas que incluíam desde a procissão, passando pelas estações cênicas, palcos simultâneos até chegar aos carros-palco. Era o teatro religioso invadindo as ruas, voltando ao povo e, no devido tempo, reincorporando elementos alegóricos e profanos.
A história mostra que o teatro esteve "ausente" do cenário público na chamada Idade das Trevas, mas continuou em estado latente o tempo todo. A Igreja perdeu, o teatro ganhou? É bem possível que perdas e ganhos se deram para ambos os lados sem se deixar de firmar convicções que se fazem presentes na religião, na arte e no homem.
O que mais há sobre isso?
Referências bibliográficas:
Carlson, Mavin. Teorias do teatro. Ed. Unesp. SP, 1995.
Berthold, Margot. História mundial do teatro. Ed. Perspectiva,SP, 2000.
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