terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Emoção no Encontro Cultural - Sarau do BB

No dia 21 de janeiro/12 foi realizado o Encontro Cultural - Sarau do BB, organizado e apresentado por mim, no Sindicado do Metroviários do Estado de São Paulo, junto à lanchonete Empório das Gostosuras, localizada no interior daquela instituição. O evento era aberto ao público, embora a comunidade metroviária tenha participado em maior número, como era de se esperar. Muitos demonstraram suas habilidades artísticas nas várias linguagens. Contamos com as presenças dos metroviários-artistas Marques Oliveira, Sílvio Morassi e Toni Neville, além das participações de convidados como o violeiro Sandro Jr, da cidade de Suzano, o Duo Casa 2, formado por Julianus e Samuel, ambos ex-alunos da UNESP/SP, a atriz Selma Lins, a professora Lia Ribeiro e três atuantes da Oficina de Teatro da Terceira Idade do Coletivo Pi: Elza, Ari e Antonio. Tivemos uma variedade de surpresas desde moda de viola, passando por samba, chorinho,mpb e rock até performances poéticas e paródia. Na ocasião tive a oportunidade de reproduzir uma pantomima do mímico francês Marcel Marceau, que foi muito bem recebida pelo público.
Seja pelo calor humano possibilitado pelo sarau, seja pela expressão artística desenvolvida ali, as pessoas emocionaram-se bastante durante o encontro, ampliando a comunicação e possibilitando a expressão de tantos sentimentos.
Quero agradecer aos apoiadores do evento: Moreira José, Inti Nicolai, Marques Oliveira, Toni Neville, Jorge Marques e Sílvia Cristina. Também a todos do Empório das Gostosuras e à Secretaria de Esportes e Cultura do Sindicato dos Metroviários do Estado de São Paulo. Essas pessoas tornaram o sarau possível por empenharem-se nas mais diversas atividades como decoração do ambiente, equipamentos, suporte no som, transporte, limpeza e divulgação.
Que venham outros!!!
Até lá!

Barros Batista

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Barros Batista em workshop - Práticas do processo criativo na adaptação teatral

com leitura dramática do texto Sobre os males que o fumo produz de Anton Tchecov


Vivência das fases de contato com o texto original e os desdobramentos da criação dramatúrgica.


Onde:


Centro Cultural Jabaquara

Rua Arsênio Tavolieri, 45 Jabaquara.

Informações: 5011-2421

8308-8317


Atividade gratuita


Quando:


09 e 16 de julho

13h00


A partir das 12h30 você está convidado(a) para um café cultural.

sábado, 11 de junho de 2011

Clara

Se está feliz ou triste

Lá vai ela morder o dedo

Pula, canta, dança, grita,

Chora, pula de novo, dança mais uma vez

Canta mais alto ainda e chora - e isso tudo, é literalmente.

Cabelo bagunçado, sorriso prateado

muita gente não sabe o que tem dentro dela.

Tanta coisa boa...

Pura, alegre, criança e, como o nome mesmo já diz: Clara, Claríssima.


Poema de Talita G. B.Batista.

Feito nos seus 15 anos de idade,

na descoberta de sua arte, ao encontrar guarida homenagendo sua irmã.
Coletivo Pi promoverá seu 3o. sarau em junho


Mais uma oportunidade para vivenciar uma noite de cultura e arte na zona norte de São Paulo. O Coletivo Pi realiza a terceira edição de seu sarau já tão conhecido e frequentado. Dessa vez, o encontro cultural não acontecerá na sede do grupo como se deu nas duas primeiras versões, e sim no Tabasco Bar, localizado à Av. Luiz Dumont Villares, 2202 - Parada Inglesa. Vale à pena conferir as apresentações de música, esquetes, dança, poesia e performances.

Não perca: dia 18/06/11 (sábado) a partir das 19h00 no Tabasco Bar.

Informações: 6603-8993

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A Tripoética de Inti Nicolai



























































Você já interagiu com um poema? Você apalpou, lambeu ou circulou um poema? A Tripoética do poeta ( ainda não assumido) Inti Nicolai nos oferece as possibilidades acima descritas dentre tantas outras. Trata-se da interação entre objetos, palavras e sentidos que o próprio leitor/espectador pode construir. Entre mensagens delicadas ou cruas o poeta nos presenteia com temas diversos que podem nos conduzir em profundas reflexões, mas não sem divertimento e ludismo no interior de suas exposições.

Acima podemos conferir alguns trabalhos de Inti Nicolai, na sua Tripoética:objetos, poemas e hipertexto. A comunicação poética de Nicolai manifesta-se desde simples cubos fixados ao teto até falos ou olhos de gato caprichosamente expostos nas paredes. Você também pode ver a foto de Inti Nicolai por ocasião de sua mostra no 2o. Sarau do Coletivo Pi, em 2010.

Inti, parabéns!!!
















Coletivo Pi em cartaz

Entre 21/05 e 05/06/2011, o Coletivo Pi fará a reestreia do espetáculo O mundo de norma, no Clube Escola Santana, próximo à estação Portuguesa-Tietê do Metrô.
Os ingressos poderão ser retirados gratuitamente com quarenta minutos de antecedência.

Vale a pena conferir, pois trata-se de uma peça que demonstra ousadia, criatividade e força coletiva ao empregar a influência do espaço na criação dramaturgica e na relação com o espectador, além de trazer elementos inovadores para a cena como a intervenção e o vídeo.

Onde: Av. Santos Dumont, 1318 Santana
Quando: 21/05 a 05/06/2011, sábados e domingos às 17h00.
Lotação: 20 lugares
Informações: 11 6603-8993 ou http://www.coletivopi.blogspot.com

sábado, 30 de abril de 2011

Menção a Augusto Boal

Nesta semana lembramos a perda de um dos maiores expoentes do teatro mundial. Augusto Boal, brasileiro tão admirado, requisitado por países de todos os continentes e que está presente na emoção, no cabedal de conhecimentos e na ideologia de tantos artistas e arte-educadores.



Augusto Pinto Boal, nascido em 1931, morreu no Rio de Janeiro, sua cidade natal, em 02 de maio de 2009. Dedicou sua vida ao teatro atuando como diretor, autor, dramaturgo e teatrólogo. É responsável por importante obra tanto teórica quanto prática. Foi uma das lideranças do Teatro de Arena nos anos 1960 e criador do Teatro do Oprimido, no qual a proposta básica é a de que o espectador também é um ator capaz de compartilhar sua visão e seu pensamento em cena.



Nos anos 1970, Boal empenhou-se contra a ditadura o que lhe impôs o exílio. A partir de então passou a desenvolver seu teatro na Argentina, Peru, Portugal e França, quando em meados daquele período escolheu Paris como sua morada durante alguns anos.

Através de metodologias próprias como o Teatro do Oprimido, do Teatro-forum, Teatro invisível e Teatro-jornal consagrou sua visão pedagógica do teatro como força de transformação social. Por seu abnegado empenho, seu grande senso estético e inquietação sobre a condição humana foi indicado, em 2008, para concorrer ao Prêmio Nobel da Paz, além de ter sido laureado por diversos países como Irlanda, Egito, México, Índia, EUA e, que bom, também pelo Brasil, dentro outros.

Em 2009 foi nomeado pela UNESCO como embaixador mundial do teatro, mas teve pouquíssimo tempo para desenvolver suas funções.

Atualmente e por um extenso futuro diversos grupos de estudantes e profissionais das artes e de outras áreas, das mais variadas nacionalidades, trabalharão pesquisando, desenvolvendo e partilhando o sistema de Boal que sempre merecerá reconhecimento e homenagens.


Viva Augusto Boal!

sexta-feira, 22 de abril de 2011

O Coletivo Pi

No período de setembro de 2009 a Janeiro de 2011 estive envolvido com as maravilhosas companheiras Natália Viana, Pâmela Mochiute e Priscila Toscano. Elas são atrizes e minhas amigas desde 2005 quando ingressamos na UNESP para cursar Artes Cênicas. Com elas tive o prazer de vivenciar vários projetos que levaram à configuração do Coletivo Pi. No ano de 2010 ocupamos uma sala cedida pelo Clube Escola Santana da Prefeitura de São Paulo, localizado na região de Santana e lá concretizamos dois Saraus e um estudo de dramaturgia infantil denominado Cena Aberta. Também produzimos e ficamos em cartaz no mês de novembro/10 com o espetáculo O mundo de Norma. Hoje o grupo pratica sua arte marcando o cotidiano da cidade de São Paulo com suas intervenções inteligentes, provocantes e divertidas. Além disso, o Pi mantém em sua sede a Oficina de Teatro para a Terceira Idade, na qual tive a felicidade de ministrar aulas durante todo o ano de 2010.


Vale a pena acompanhar as atividades do Coletivo Pi e a oportunidade mais próxima será no dia 26/04, terça-feira, na intervenção Narrativas de Santana, que será realizada em algum espaço público na zona norte de São Paulo. Participe e acompanhe pelo blog do coletivo!


É muito bacana!





Coletivo Pi: http://www.coletivopi.blogspot.com/
O Ator

Bendito seja quem souber dirigir-se a esse homem que se deixou endurecer, de forma a atingi-lo no pequeno núcleo macio de sua sensibilidade, e por aí despertá-lo, tirá-lo da apatia, essa grotesca forma de autodestruição a que, por desencanto ou medo, se sujeita, e por aí inquietá-lo e comovê-lo para as lutas comuns da libertação.

Os atores têm esse dom. Eles têm o talento de atingir as pessoas nos pontos nos quais não existem defesas. Os atores, eles, e não os diretores e os autores, têm esse dom. Por isso o artista do teatro é o ator(...)

Eu amo os atores nas suas alucinantes variações de humor, nas suas crises de euforia ou depressão. Amo o ator no desespero de sua insegurança, quando ele, como viajor solitário, sem a bússola da fé ou da ideologia, é obrigado a vagar pelos labirintos de sua mente, procurando no seu mais secreto íntimo afinidades com as distorções de caráter que seu personagem tem. E amo muito mais o ator quando, depois de tantos martírios, surge no palco com segurança, emprestando seu corpo, sua voz, sua alma, sua sensibilidade para expor sem nenhuma reserva toda a fragilidade do ser humano reprimido, violentado. Eu amo o ator (...)


Fragmento de texto de Plínio Marcos (1935-1999), publicado no livro

Canções e Reflexões de um Palhaço, publicação do autor de 1987.

Plínio Marcos contribuiu muito com o teatro brasileiro como ator, dramaturgo e diretor.


sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Performance: Entre versos e reversos (Sarau do Pi - 2010)



























Com Priscila Toscano (esquerda) e Pâmella Cruz (direita), fundadores do Coletivo Pi.
1º Sarau do Pi - 2010

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Na Virada Cultural 2010 com o ator Alexandre D'Angeli - Terminal Tietê.

Virada Cultural 2010 - Terminal Tietê.



domingo, 19 de setembro de 2010

O que mais há sobre isso?

A convivência entre o teatro e a Igreja na Idade Média



A Igreja Católica consagrou seu poder durante a Idade Média por mais de dez séculos e sua presença firmou-se através de interferências cruciais na política e na economia, além de moldar o comportamento social da época. Na educação, privilegiou aristocratas e colaboradores de suas ideologias e para isso lançou dogmas, proibiu livros e condenou pessoas. Não é preciso detalhar as fogueiras em praças públicas. Também desprezou a sabedoria popular e dentre outras arbitrariedades baniu o teatro, provavelmente por reconhecer nele uma forma poderosa de manifestação do pensamento e de transformação da sociedade.

A condenação da linguagem teatral custou a vida e perseguição de muitos atores. Por longo tempo mantiveram suas atividades apenas os mimos, às escondidas, os menestréis e os acrobatas, sustentados por alguns senhores feudais.

Ironicamente, a própria liturgia cristã trazia uma força de representação, contendo em si o vigor teatral. Em algum momento isto se fez notar e se por um lado a Igreja Católica Medieval desmantelou a expressão cênica, por outro apropriou-se desta arte que, na verdade, é inerente às relações humanas.

Diante de tanta repressão não é difícil imaginar que "ovelhas" desgarraram-se do grande "rebanho do Senhor". Tal afastamento de fiéis estimulou aos clérigos elaborarem uma estratégia de atração às suas paróquias por algo próximo à linguagem teatral já que sua liturgia é repleta de elementos dramáticos. Fundamental nesse processo que se deu, principalmente a partir do século XI, é como o espaço clerical foi utilizado gradualmente com o fim de controlar e inculcar nos participantes a construção de um teatro que estivesse pronto a servir ao interesse católico.

O altar-mor da igreja inciou na Europa o processo de dramatização com as frequentes execuções de Tropos com Tableaux - uma forma imóvel de representar cenas do Antigo Testamento. Tal imagem pode ter emocionado amiúde as pessoas nas missas, sobretudo nas festas de páscoa e natal, necessitando assim uma maior dinâmica litúrgica. Aos poucos, quando a língua vernacular ocupou uma pequena parte das cerimônicas, naturalmente os fiéis aumentaram seu interesse e sua assiduidade, motivos esses que estimularam, ao clero, mais inserir maior dramaticidade com a finalidade de "instruir" ao povo.

O Tableau logo tornou-se insuficiente e cedeu lugar a outros tipos de representação, tais como os milagres, os mistérios e os autos - sempre trazendo temas religiosos importantes. Rapidamente a nave central da igreja foi tomada de cores de figurinos elaborados, cantos e diálogos. O poder imagético influenciou demasiadamente, fazendo com que aumentasse tanto a importância do evento quanto a presença e colaboração por parte da comunidade. Quando as apresentações transferiram-se para a frente da igreja, isto é, quando tomou o seu lado externo, o número de envolvidos na produção cênica era grande e trouxe novas formas que incluíam desde a procissão, passando pelas estações cênicas, palcos simultâneos até chegar aos carros-palco. Era o teatro religioso invadindo as ruas, voltando ao povo e, no devido tempo, reincorporando elementos alegóricos e profanos.

A história mostra que o teatro esteve "ausente" do cenário público na chamada Idade das Trevas, mas continuou em estado latente o tempo todo. A Igreja perdeu, o teatro ganhou? É bem possível que perdas e ganhos se deram para ambos os lados sem se deixar de firmar convicções que se fazem presentes na religião, na arte e no homem.



O que mais há sobre isso?

Referências bibliográficas:

Carlson, Mavin. Teorias do teatro. Ed. Unesp. SP, 1995.

Berthold, Margot. História mundial do teatro. Ed. Perspectiva,SP, 2000.